Era uma vez uma jovem abelhinha... Sonhos, aventura e fantasia, pintavam o seu mundo. Um mundo colorido. Essa abelhinha não conhecia problemas, aliás, essa palavra ela já havia abolido do seu dicionário. Mas há algum tempo, algo a estava inquietando: o desejo de partir, de tentar a sorte em outro lugar. No entanto, a abelhinha não queria partir sozinha. Foram dias e dias tentando, foi difícil, mas conseguiu convencer toda a colmeia a embarcar nessa viagem.
O sol ainda nem havia saído quando o bando partiu.
Chega o fim da tarde e já estavam todos exaustos, afinal foram quilômetros e quilômetros sobrevoados. Resolveram então parar para descansar. Foi quando se deram conta de que aquele era o lugar ideal que tanto procuravam. Era uma terra longínqua e inabitada. Logo, tornou-se o ‘Paraíso das abelhas’.
Enquanto mais abelhas nasciam, mais a produção de mel crescia. Era mel que não acabava mais. A natureza como um todo contribuía para essa crescente produção: equilíbrio ambiental, árvores em toda a parte, e flores, muitas flores.
O tempo foi passando, até que algo inesperado aconteceu, e mudou definitivamente a vida das abelhinhas. Em toda a colmeia não se falava outra coisa: a chegada de seres de outra espécie.
_ Eram assustadores! Na verdade, era um povo gigante, feio e que produzia um barulho estranho ao se comunicar, e que ainda por cima, nem sabia voar.
Naquele dia, as abelhas não trabalharam. Momento único registrado na história daquelas operárias.
O pavor já havia tomado conta das abelhinhas, que preocupadas com a possível ameaça que esse grupo representava, decidiram pensar todas juntas. Houve reunião na colmeia.
Chegado o fim da reunião, a decisão tomada é que deveriam aguardar um pouco mais para ver como as coisas iam ficar, antes de tomar alguma atitude drástica.
Mas aquela espécie chamada ‘gente’ crescia, multiplicava-se, assim como também se multiplicavam os problemas das abelhinhas.
_ Essa gente é mesmo muito inteligente, mas muito egoísta. Só pensa em si mesma. É incrível e lamentável essa mania de destruição que esse povo tem. É assim que retribui todo o bem que a natureza sempre lhe ofereceu?!
E por onde quer que andavam, as abelhas só viam devastação. Já não havia mais espaço para elas. Era a hora de partir. Aquele foi um dia de luto em toda a colmeia.
_ Muito tempo se passou, mas não perdi de vista aquela saudosa terra. Tenho notícias daquele povo. O desenvolvimento é inegável. Construíram várias habitações, escola, igrejas, posto de saúde. O povo também está mais organizado. Participa de associação, realiza projetos de caráter ambiental, na tentativa de salvar o pouco que ainda resta (É uma verdadeira corrida contra o tempo!). E até uma coisa chamada computador já existe por lá.
_Sinto que estou preparada para voltar. Esse mesmo povo que destruiu a nossa ‘casa’ já se arrependeu. E é com atitudes que demonstra isso. Refloresta, recolhe o lixo e discute formas de promover o progresso da comunidade, por meio de um tal de Tratamento Comunitário.
_Essa é a minha história. Uruçu é o meu nome. Tornei-me Abelha Rainha, por isso, quero voltar e cumprir minha missão: ensinar a esse povo algo que meus ancestrais já sabiam. Algo que não se aprende na academia. Que o segredo do sucesso está na união!
Eliny Alves Rocha (moradora da comunidade)